Acabou de passar na SIC, uma reportagem sobre o estado das energias renováveis em Portugal, bem como o investimento do país nesta área nos próximos tempos. Falou se dos extremos impactos ambientais, que as centrais solares e eólicas vão ter nos nossos ecossistemas, sem criarem quase emprego nenhum (falou-se se não me engano que a central da Amareleija criou uma dúzia de empregos). No entanto nunca se falou na alternativa óbvia e limpa do nuclear. Funciona nos outros países. Porque não neste cantinho da Europa?
Resposta curta: não compensa, a energia nuclear é muito mais cara que a renovável hoje em dia.
Quanto ao “mais limpa”, longe disso, cria vários problemas de gestão de resíduos etc. Onde ela já existe deve continuar a ser usada (a Alemanha errou feio ao suspender a sua e agora anda a reacender centrais a carvão), mas quem nunca teve não precisa meter-se nisso agora, simplesmente não compensa do ponto de vista financeiro e também não gera empregos por aí além.
Em relação à solar muitos dos problemas ambientais causados poderiam ser reduzidos apostando na sua descentralização, para isso precisamos de mudanças legislativas. Os painéis solares deviam estar nos telhados e parques de estacionamento, não na Amareleja para defesa de lucros acionistas, que é do que se trata.
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Pois é isso. Penso que seja mesmo nuclear. Recomendo imenso a ver o documentário: Nuclear Now. Dá me mesmo muita pena em ver os impactos que a instalação de grandes centrais fotovoltaicas e eólicas vão fazer ao ambiente e paisagem do nosso país, em busca de energia verde. Uma central nuclear significariam talvez menos centenas de hectares de florestas destruídas.
Privados não fazem estações de produção eléctrica nuclear. Se não gostas de negócios como, por exemplo, da Lusoponte, então nuclear não é para ti.
Os impostos pagam a estação agora e logo se vê que preço a electricidade vai ter no futuro.
Os lucros vão para o privado, e dependem quase só dos níveis de segurança exigidos para a operação. O incentivo para comprar os políticos e reguladores e mudar as regras para reduzir custos, é gigante.
E não é que possas criar um mercado com concorrência. Aliás, até os trabalhadores têm que ser pre-aprovados. Por segurança.
E pensar em vulnerabilidades como o que se vê agora na Ukrania? Onde se está a prever que alguém pode causar um acidente nuclear que vai afectar uma área maior do que Espanha? Quem paga a gestão desse tipo de segurança. O SIS, e esses custos também estão contados nos custos do nuclear?
Mais, a produção não é flexível suficiente para acompanhar (como é necessário) o consumo eléctrico do momento. Ou seja, a produção electrica nuclear apenas é adequado para abastecer o consumo base, que corresponde a cerca de 6% do que é consumido.
E que fazes ao resíduo? Há muito quem tenha teorias, não faltam. Mas na prática onde se depositam? E quem? E até quando?.. se vai pagar para cuidar desses resíduos?
Para mim é como falar do comunismo. Fantástico na teoria - Utópico. Na prática, é o que se viu/vê.
Uma das razões talvez seja esta:

Qualquer centímetro que não seja ativamente vigiado acaba na entropia. Aliada à tendência que temos de não verificar absolutamente nada…
Simplesmente, não temos mecanismos (até pessoais) para nos autocensurarmos.
Infelizmente, vou perdendo paulatinamente a confiança no povo português para ser autónomo . 😮💨
Esta realidade entristece-me.
É! A mim também!..
Ando numa fase de experimentar as chamadas “redes sociais” porque achei que o fediverse era, finalmente, uma rede social decente - ainda acho isso, apesar de algumas reticências -, mas acho que os meus níveis de cinismo estão no máximo. Não sei se me faz bem…
Convido todos a assistir a este vídeo: Why Germany Hates Nuclear Power Super interessante, factual e fala sobre a crise energética da Europa.
Fiquei chocado por saber que a avg Age das Centais Nucleares da França é de quase 40 anos. (esperança media de vida de uma Central é 20 a 40 anos.)
Recomendo a assistires também o documentário Nuclear Now. Fala sobre como é que a energia nuclear foi retratada no passado por diversas razões, e como essas ideias chegaram até aos dias de hoje.
O pessoal viu Chernobyl e agora tem medo das centrais…



